Em 1973, como Assessor de Turismo da estância de Águas de Lindóia, tinha como parâmetro básico, aumentar o fluxo de turistas e ampliar a estacionalidade. Precisamos lembrar que em 72, com a suspeita de contaminação da água mineral engarrafada pelas empresas na cidade e região, os turistas quase que desapareceram e o caos econômico tomou conta do município. Saindo a campo foram pesquisados equipamentos, potencialidades, geografia e tudo que pudesse atrair, entreter e ser motivo de compras. Doceiras, artistas plásticos, artesãos, criadores de animais de pequeno porte, colecionadores, produtor de cachaça, queijos, embutidos, frutas e até as empresas engarrafadoras de água.
Em pesquisa com os hoteleiros, donos de pequenos supermercados, restaurantes, pizzarias, constatou-se que a maioria absoluta comprava alface, ovos, queijo e inúmeros outros produtos no Ceasa de Campinas e atacadistas em São Paulo, fazendo com que o dinheiro arrecadado junto aos turistas, voltasse novamente para o ponto de origem., deixando assim de injetar tal arrecadação na própria cidade, além do encarecimento pelo frete, combustível, tempo de ir e vir . Outro fator notado era a dispersão das compras sendo sugerido na época a criação de uma central de compras, com enorme vantagens para os empresários e turistas, Nada foi feito.
Ampliando o legue de opções, onde se vislumbravam as atividades de pesca, passeios às cavalo, de barco, trilhas , passeios junto à natureza, compras diversificadas; surgiu a idéia do Corredor Turístico, englobando Serra Negra, Lindóia, Águas de Lindóia e Monte Sião/MG, com sua cerâmica e o nascente artesanato de tricô e crochê. Empiricamente, e já se passaram 32 anos, nascia o fortalecimento econômico local e regional , ou mesmo se aplicavam princípios de micro economia. O que mais os empresários de Águas de Lindóia seguiram, foi investir num público, na época chamado de infiel: surgiam as salas de convenções e com elas os eventos que transformaram a estância.
O fomento municipal no desenvolvimento sustentável local, deve antes de mais nada, preservar a natureza, meio ambiente, história, arquitetura, cultura, monumentos, ar, águas, subsolo, paisagem, , criando mecanismos como cooperativas de crédito, de produção, incentivos creditícios, além de buscar parcerias com organismos internacionais, federal e estadual, ong’s, empresas juniores, visando sobremaneira solidificar e fortalecer a população, fazendo-a empreendedora, mas auxiliando-a com mecanismos democráticos de crédito, gerando assim empregos, renda e principalmente realimentando a economia através do efeito multiplicador proporcionado pela atividade turística.
Otavio Demasi é Jornalista e Consultor em Turismo – odtur@ig.com.br