São as atitudes não programadas dos indivíduos que revelam a sua essência, embora muitas vezes procurem demonstrar perfis distintos gerenciando os seus atos. Há casos em que as pessoas têm atitudes onde o objetivo é criar uma determinada imagem e na prática emitem sinais indeléveis cujas características demonstram exatamente o contrário daquilo que pregam.
Neste sentido, é importante observar que há dois aspectos cada vez mais valorizados nos profissionais. O primeiro está exatamente na capacidade de demonstrar humildade permitindo a acessibilidade e o segundo, a capacidade de ser autêntico, sem a necessidade de se associar às conveniências das situações para tomar atitudes que agradem, mesmo que na prática, não revelem a sua íntegra opinião.
O adágio popular de que o poder corrompe está cada vez mais importante no mundo corporativo. Permanecer uma pessoa acessível aos colaboradores, colegas que ocupam posições hierárquicas menores, ou mesmo fornecedores, é uma demonstração de segurança e de efetiva liderança.
Ao contrário do que os menos preparados possam pensar, o profissional importante não é aquele que é praticamente inacessível, que possui várias secretárias ou subordinados somente para filtrar o que lhe chega. A importância é medida pela responsabilidade e pelos resultados, não pela pompa.
Como disse, normalmente ocorre com os menos preparados, uma vez que necessitam criar uma aura de ineditismo para se valorizarem. Soldados rasos, quando assumem momentaneamente alguma posição privilegiada, têm atitudes dessa natureza cujo efeito para a equipe é nefasto.
Quando alguém está reiteradamente indisponível, não atende as pessoas que lhe procuram, permanecendo ocupado por longos períodos, deve rever seus posicionamentos. Certamente pode estar equivocado na condução da sua imagem como gestor ou mesmo demandar um ajuste efetivo na condução de suas atividades.
Uma pessoa que sempre está ocupada é mau sinal. Normalmente de que algo está errado com ela ou com a organização. Essa prática se percebe em questões menores, como simplesmente não retornar as ligações ou dificuldades para atender um colaborador.
Somado a esse comportamento, percebo também que muitos profissionais acabam se escondendo de situações embaraçosas simplesmente porque lhes falta a maturidade necessária a um bom profissional, acreditando que podem simplesmente empurrá-las com a barriga, ao invés de enfrentar.
Nesse sentido, a autenticidade pode ser ratificada, por exemplo, na simples capacidade de dizer não de modo objetivo e inconteste quando a situação requer, revelando um segundo elemento evidente na diferenciação dos profissionais de destaque.
Teve uma época, ainda na faculdade, em que trabalhei como vendedor externo, numa indústria de cereais. Era interessante que muitos gerentes de supermercados eram incapazes de me dizer não. Tinham dificuldade de falar que não queriam aquele produto ou não estivessem interessados na minha empresa. Lembro-me que por isso muitas vezes fiquei esperando horas o gerente de compras me atender.
É evidente que ele perdia mais com isso do que eu. Qualquer vendedor sabe que as promoções sempre são ofertadas para aqueles compradores que atendem bem, são prestativos e genuínos. Por isso, quando tinha em mãos algum produto novo ou oportunidade em que a empresa dele pudesse se diferenciar, normalmente, como por encanto, o seu concorrente acabava recebendo-a antes.
Ser acessível e desenvolver a autenticidade são capacidades que precisam ser adquiridas por qualquer profissional. Desde o porteiro até o diretor da empresa, passando pelos atendentes, telefonistas, encarregados e gerentes intermediários. Devem ser duas características fundamentais a ser identificados no perfil dos colaboradores.
Eleri Hamer é Diretor de Relações com o Mercado do IBG – Instituto Business Group, professor e palestrante –contato@elerihamer.com.br.